No dia 26 de março de 2014 pesquisadores, extensionistas, agentes licenciadores e fiscais e agricultores se reuniram por ocasião do "Workshop sobre Roça de Toco: quebrando tabus para regulamentação de uma prática tradicional ecologicamente correta".
Conforme a programação, o evento foi constituído de três momentos: palestras, discussão em plenária e encaminhamentos.
As palestras tiveram três enfoques:
- Visão, questionamentos e experiências de grupos de pesquisa acerca da roça de toco e das comunidades envolvidas com esse sistema de uso da terra - A Profa. Cristina Adams, da Universidade de São Paulo, ressaltou que pesquisas internacionais vêm trazendo um novo olhar para a roça de toco, destacando os prejuízos socioambientais nas áreas do globo em que sua prática foi abandonada. Destacou também a carência de dados sobre esse sistema na Mata Atlântica e que os trabalhos realizados no Vale do Ribeira também evidenciam importantes prejuízos socioambientais quando o mesmo é abandonado. O Prof. Alfredo Fantini, da UFSC, apresentando, entre outros, dados de pesquisa sobre o sistema praticado em Biguaçu, sugeriu a reflexão sobre a possibilidade de extinção desse sistema, possíveis consequências disso, bem como sobre alternativas disponíveis para sua substituição.
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| Palestrantes do Workshop durante discussão em plenária |
- Experiências e desafios enfrentados pelos órgãos ambientais para operacionalizar o licenciamento do sistema de roça de toco - A bióloga Andréa Felipe, da Fundação Municipal de Meio Ambiente de Biguaçu - Famabi - apresentou as bases legais e aspectos práticos que sustentam o trabalho pioneiro de licenciamento da roça de toco que vem acontecendo no município, destacando a atenção e o tratamento especial dados aos agricultores familiares e a celeridade dos processos. O biólogo Rogério Castro, da Gerência de Licenciamento Agrícola e Florestal da Fatma, destacou os desafios legais impostos pela legislação para que o sistema possa acontecer de acordo com o saber tradicional dos agricultores, especialmente o curto período de pousio (10 anos) previsto na Lei da Mata Atlântica. Trouxe para reflexão a possibilidade de que a roça de toco fosse abordada como manejo florestal, inserido no licenciamento da propriedade rural como um todo.
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| Produtos e material publicitário da Ass. Valor da Roça |
Após a discussão em plenária, como forma de encaminhamento, os presentes redigiram e assinaram uma Carta aberta pela regulamentação do sistema de uso da terra Roça de Toco em Santa Catarina, que
Pausa para café
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será encaminhada pela coordenação da Rede Sul Florestal às instâncias competentes para motivar as reflexões e os encaminhamentos para a elaboração de novas normativas que viabilizem a continuação do sistema Roça de Toco com todo seu potencial socioambiental.
Os participantes puderam apreciar o sabor de produtos preparados com ingredientes oriundos da roça de toco degustando o café que foi preparado pelos agricultores.



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