domingo, 13 de abril de 2014

Relato e encaminhamentos do Workshop sobre Roça de Toco

No dia 26 de março de 2014 pesquisadores, extensionistas, agentes licenciadores e fiscais e agricultores se reuniram por ocasião do "Workshop sobre Roça de Toco: quebrando tabus para regulamentação de uma prática tradicional ecologicamente correta". 
Conforme a programação, o evento foi constituído de três momentos:  palestras, discussão em plenária e encaminhamentos.

As palestras tiveram três enfoques:

Visão, questionamentos e experiências de grupos de pesquisa acerca da roça de toco e das comunidades envolvidas com esse sistema de uso da terra - A Profa. Cristina Adams, da Universidade de São Paulo, ressaltou que pesquisas internacionais vêm trazendo um novo olhar para a roça de toco, destacando os prejuízos socioambientais nas áreas do globo em que sua prática foi abandonada. Destacou também a carência de dados sobre esse sistema na Mata Atlântica e que os trabalhos realizados no Vale do Ribeira  também evidenciam importantes prejuízos socioambientais quando o mesmo é abandonado. O Prof. Alfredo Fantini, da UFSC, apresentando, entre outros, dados de pesquisa sobre o sistema praticado em Biguaçu, sugeriu a reflexão sobre a possibilidade de extinção desse sistema, possíveis consequências disso, bem como sobre alternativas disponíveis para sua substituição.
Palestrantes do Workshop durante
discussão em plenária

Experiências e desafios enfrentados pelos órgãos ambientais para operacionalizar o licenciamento do sistema de roça de toco - A bióloga Andréa Felipe, da Fundação Municipal de Meio Ambiente de Biguaçu - Famabi - apresentou as bases legais e aspectos práticos que sustentam o trabalho pioneiro de licenciamento da roça de toco que vem acontecendo no município, destacando a atenção e o tratamento especial dados aos agricultores familiares e a celeridade dos processos. O biólogo Rogério Castro, da Gerência de Licenciamento Agrícola e Florestal da Fatma, destacou os desafios legais impostos pela legislação para que o sistema possa acontecer de acordo com o saber tradicional dos agricultores, especialmente o curto período de pousio (10 anos) previsto na Lei da Mata Atlântica. Trouxe para reflexão a possibilidade de que a roça de toco fosse abordada como manejo florestal, inserido no licenciamento da propriedade rural como um todo.

Produtos e material publicitário
da Ass. Valor da Roça
- A história e o significado da roça de toco para os agricultores familiares - O agricultor Edésio Paulo Petri, presidente da Associação Valor da Roça, relatou sobre a importância histórica do sistema Roça de Toco para as famílias de Biguaçu; destacou o saber tradicional associado ao sistema e as dificuldades de perpetuação do sistema com as restrições impostas pela legislação.



Após a discussão em plenária, como forma de encaminhamento, os presentes redigiram e assinaram uma Carta aberta pela regulamentação do sistema de uso da terra Roça de Toco em Santa Catarina, que
Pausa para café
será encaminhada pela coordenação da Rede Sul Florestal às instâncias competentes para motivar as reflexões e os encaminhamentos para a elaboração de novas normativas que viabilizem a continuação do sistema Roça de Toco com todo seu potencial socioambiental.

Os participantes puderam apreciar o sabor de produtos preparados com ingredientes oriundos da roça de toco degustando o café que foi preparado pelos agricultores.

Nenhum comentário:

Postar um comentário