Esta proposta é um projeto interdisciplinar que tem por
objetivo integrar várias ações que vem sendo desenvolvidas por diversos
pesquisadores e instituições em comunidades rurais do município de Biguaçu, Grande Florianópolis, SC, no
âmbito de outros projetos de pesquisa e extensão.
Essas são comunidades multiétnicas com descendentes de
açorianos, africanos e alemães, em que a principal forma de uso da terra e da
floresta se carateriza por um regime de corte e queima, num sistema de rodízio
em que se produz culturas agrícolas em consórcio com espécies florestais, o
sistema de “roça-de-toco”.
Dados já resultantes das ações em andamento apresentados por
Carrieri (2010), De Luca (2011), Fantini et
al (2010) e Neubert (2011) apontam aspectos muito interessantes sobre o
processo de produção e sobre os produtos gerados pelos agricultores familiares
nesse sistema. Destaca-se que, depois de alguns anos de cultivo, a terra é
deixada em repouso para que a floresta se regenere. Nesse sistema, sem o uso de
adubos químicos ou agrotóxicos, produz-se aipim, farinha branca fina – uma
raridade, além de outros derivados do aipim como beju e tapioca e também carvão
vegetal.
O sistema de produção é atualmente clandestino porque quando
a floresta atinge o ponto de corte desejado para produção de lenha e
implantação da lavoura, já se encontra em estágio médio de regeneração sendo
seu corte proibido pela legilação ambiental vigente. No entanto, a
possibilidade de produzir nesse sistema de forma legal está sendo estudada no âmbito
de um dos projetos em andamento – Projeto Nosso Carvão (FANTINI, 2009) – e já
conseguiu importantes avanços junto ao órgão ambiental municipal.
Destaca-se também que o carvão produzido é vendido
clandestinamente nas proximidades, mas tem um público consumidor exigente que
reconhece sua qualidade (CARRIERI, 2010). Este fato sugere que esse produto
possua atributos intrínsecos de qualidade que possam ser mais valorizados e que
serão estudados no âmbito de outro projeto, a Rede Sul Florestal – PD&I em
sistemas florestais e produção de energia na agricultura familiar (RECH, 2010).
Do ponto de vista da produção de aipim, a caracterização da
singularidade do processo de produção, a identificação de procedimentos a
melhorar, a acomparação desse sistema de consórcio com a produção convencional
de aipins e o potencial de mercado estão sendo estudados no âmbito do Projeto
Aipim Biguaçu, liderado por Borchardt e Neubert (2011). A caracterização
química e a identificação de atributos de qualidade das raízes e da farinha
produzida no sistema de consórcio serão estudados no âmbito do projeto
Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Mandioca no Centro-sul do Brasil (PERUCH,
2011).
A partir da interação com a população local e da discussão
com os técnicos evidencia-se cada vez mais a singularidade e o potencial
ecológico do sistema de produção e dos produtos obtidos pela população local,
fato que tem apontado demandas de abordagens complementares para que as ações
realizadas se convertam, de fato, em melhoria de renda e de qualidade de vida
para as populações envolvidas.
Sendo assim, a
presente proposta tem como objetivo apontar instrumentos e estratégias para
diferenciação dos processos e dos produtos gerados nas referidas comunidades
com vistas a melhorar a comunicação com o público consumidor e a conquistar,
assim, mercados diferenciados.
Referências
CARRIERI, M. Estudo exploratório sobre o sistema de produção e a comercialização do carvão vegetal produzido por agricultores familiares da Microbacia de São Mateus (Biguaçu-SC). Trabalho de Conclusão de Curso. Agronomia. Centro de Ciências Agrárias. Universidade Federal de Santa Catarina. 2010.
LUCA, F. V. “Botar a roça”: agricultura de corte e queima e
manejo de bracatingais em Biguaçu/SC. Trabalho de Conclusão de Curso. Agronomia. Centro de Ciências Agrárias. Universidade Federal de Santa Catarina. 2011.
FANTINI, et al. Produção de Carvão e de
saberes na agricultura de Santa Catarina. Agropecuária
Catarinense, v. 23, p. 13-15, 2010.
FANTINI, A.C. Projeto “Nosso Carvão”. Edital MCT/CNPq/MDA/SAF/Dater Nº 033/2009.
NEUBERT, 2011.
Aipim sustentável e livre de agroquímicos. Entrevista concedida ao Portal Dia
da Campo em 16.06.2011. Disponível em
< http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=57231
> acesso em 17.06.2011.
PERUCH, L.A.M. Desenvolvimento da cadeia produtiva da
mandioca no Centro-sul do Brasil. Edital CNPq Repensa 2010.
RECH,
T.D. Rede Sul Florestal: PD&I em
sistemas florestais e produção de energia na agricultura familiar. Edital
CNPq Repensa 2010.

Nenhum comentário:
Postar um comentário