Equipe 1 –
Estratégias de integração, envolvimento comunitário e divulgação
Instituições envolvidas: Epagri através do Grupo de
Pesquisa-extensão e aprendizagem participativas (Epagri/PEAP), do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola - Epagri/Cepa, e da
Gerência de Marketing e Comunicação, Setor de TV e rádio.
Coordenação: Cíntia Uller Gómez e Ilmar Borchardt.
Pesquisadores: Sergio
Leite Guimarães Pinheiro, Álvaro Simon e Silvano Breda.
Esta equipe será responsável pela articulação dos
pesquisadores, pela comunicação com a comunidade e pelo contato com outros
atores (como os gestores públicos) e pelas divulgação dos resultados. Conta com
recursos do Projeto Pesquisa Participativa para Geração Local de Tecnologias
apropriadas ao contexto da agricultura familiar (Capes, linha Finep
02575/2009-4), especialmente pela
contratação da Bolsista PNPD, pesquisadora proponente desta proposta.
Toda a discussão com a comunidade será baseada em
pressupostos educativos de modo que a população se aproprie dos conhecimentos
gerados. Para tanto, nos apoiaremos, nos Momentos Pedagógicos (DELIZOICOV,
1991) e em ferramentas participativas apropriadas às discussões em curso.
Concebidos para a educação formal, os Momentos
Pedagógicos são instrumentos para possibilitar a valorização crítica do
conhecimento dos alunos e as rupturas necessárias com esse conhecimento inicial
e com sua percepção de mundo para a apropriação crítica de conhecimentos novos,
necessários ao enfrentamento da realidade.
Em nosso caso, esses procedimentos serão adaptados
para a integração da equipe de técnicos na organização dos trabalhos com os
agricultores.
Delizoicov distingue três momentos pedagógicos com
funções distintas entre si:
Problematização
Inicial: As situações reais são apresentadas às pessoas em forma de
codificações. As pessoas são desafiadas a expressaram sua visão sobre essas
situações. A meta é problematizar o conhecimento da comunidade sobre as
situações apresentadas através de umas poucas questões que podem ser distruídas
em diferentes atividades e datas. O objetivo é “aguçar as explicações
contraditórias e localizar as possíveis limitações e lacunas do conhecimento
que vem sendo expresso (...)” (DELIZOICOV, 2002: p.201). O ponto culminante
desse momento é fazer que as pessoas presentes sintam a necessidade da
aquisição de outros conhecimentos que ainda não possuem. Tenta-se apresentar a
situação em discussão como um problema que precisa ser enfrentado. Nesse
primeiro momento prevalece a fala da comunidade.
Organização do Conhecimento: É o
momento em que os conhecimentos necessários para a compreensão da situação apresentada
no momento anterior são estudados sistematicamente. Podem ser realizadas
diversas atividades para alcançar a compreensão das situações problematizadas.
Aplicação do Conhecimento: “Destina-se,
sobretudo a abordar sistematicamente o conhecimento que vem sendo incorporado
para analisar e interpretar tanto as situações iniciais que determinaram seu
estudo como outras situações que, embora não estejam diretamente ligadas ao
motivo inicial, podem ser compreendidas pelo mesmo conhecimento” (DELIZOICOV et al., 2002: p.202). É o momento da
síntese da fala da comunidade com a fala do técnico (em nosso caso), da síntese
de suas visões sobre a realidade ou, pelo menos, da percepção de suas
diferenças. As falas do técnico junto com as falas da comunidade exploram as
perspectivas criadas, visualizam possibilidades de encaminhamento para o que
foi discutido.
1o Momento – Reconhecendo
produtos, processos e atores (Início no 1o mês e término no 18o
mês).
Corresponderá ao momento em
que os pesquisadores vão se conhecer e iniciar a troca de informações sobre
seus projetos. É também o momento em que a comunidade vai começar a refletir
sobre as possibidades de investir de maneira diferenciada em seus produtos.
Este Momento tem como objetivo provocar na comunidade a necessidade de
participar mais ativamente na busca de mercados alternativos e diferenciados
através da discussão dos dados que vão surgindo nos diversos projetos em andamento.
Para tanto serão realizadas
atividades com vistas a promover:
·
Apresentação
do projeto e da equipe de pesquisadores à comunidade.
·
Integração
dos diversos pesquisadores.
·
Coleta
de dados dos projetos em andamento.
·
Identificação
de gestores públicos-chave.
·
Oficinas
com comunidade para discussão dos dados encontrados.
2o Momento – Organizando e
refletindo com a comunidade e com os gestores públicos sobre o conhecimento
gerado (Início no 7o mês e término no 21o mês).
Este segundo momento compreende
ações destinadas ao estudo coletivo das possibilidades levantadas no momento
anterior, especialmente no que diz respeito ao estudo participativo das
posssiblidades de diferenciação dos produtos com base nos atributos de
qualidade identificados nas atividades anteriores. Para tanto será realizado:
·
Pesquisa
de mercado.
·
Análise
de estratégias de diferenciação de forma participativa através de reuniões
técnicas e oficinas na comunidade.
·
Realização
de um Workshop para discutir e encaminhar possibilidades de estratégias de
diferenciação.
3o Momento – Divulgação dos resultados e
encaminhamentos (Início no 19o mês e término no 24o mês).
Este 3o
Momento compreende atividades de divulgação dos resultados para diferentes
públicos, sintetizando as estratégias identificadas. Metodologicamente pode
significar o início de uma novo processo. Ou seja, espare-se que com base nos
dados deste projeto, gestores públicos e comunidade possam interagir mais na
busca de mercado para os produtos com qualidade diferenciada. Estão planejadas
atividades como:
·
Reportagem
de TV sobre os produtos e seus processos de produção.
·
Elaboração
de folders.
·
Elaboração
e submissão de artigos técnico-científicos.
Em todas as etapas
serão utilizadas diferentes ferramentas participativas para promover a participação
dos agricutores no debate.
Referências:
DELIZOICOV, D; & ANGOTTI, J. A. P. Física. São Paulo: Cortez, 1991.
DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, P.A.J. e PERNAMBUCO, M.M.C. Abordagem de temas em sala de aula. In:
________ Ensino de ciências – fundamentos e métodos. São
Paulo: Cortez, 2002. 364p. p.173-250.

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